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Antigo palco de desilusões, 'rica' Copa do Brasil tenta conciliar glamour com imprevisibilidade de outrora

Antigo palco de desilusões, 'rica' Copa do Brasil tenta conciliar glamour com imprevisibilidade de outrora

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Convencionou-se a chamar de “nova Copa do Brasil” o segundo principal torneio de clubes do futebol nacional. Pudera. Abastecida financeiramente, a competição pagará R$ 56 milhões ao campeão da atual edição. Em um período onde o torcedor se interessa pelas finanças de seu time como nunca antes, celebrar o avanço de fase ganhou um gosto peculiar. “Faz o pix, CBF!” virou expressão popular na literatura da torcida brasileira.

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Logo mais, quando entrarem em campo para os primeiros confrontos das semifinais contra Atlético-MG e Flamengo, respectivamente, Fortaleza e Athletico tentarão surpreender duas das maiores folhas salariais do país. De um lado, duas histórias que eram comuns até a mudança de formato, em 2013; do outro, duas que simbolizam a tendência na “nova” disputa. O “torneio mais democrático”, de frequentes semifinalistas e campeões modestos, também tornou-se local onde o topo da pirâmide concentra grandes disputas.

> Esqueceu de alguém? Lembre os jogadores do Flamengo contra o Athletico-PR na final da Copa do Brasil 2013

Desde 2013, a Copa do Brasil voltou a aceitar clubes que disputam a Libertadores da América em suas eliminatórias. Somado à grande premiação e à extensão da competição na temporada, então relegado ao primeiro semestre, a imprevisibilidade gradativamente foi diminuindo.

Às equipes da Libertadores foram-lhe dadas certas regalias. Até 2020, elas entravam diretamente nas oitavas de final, tendo menos percalços no caminho a percorrer. Para 2021, a CBF antecipou a entrada desse grupo para a 3ª fase, onde Palmeiras e Internacional foram eliminados para CRB e Vitória.

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O recorte é pequeno, e não dá para sentenciar se a solução tende a aumentar as incertezas na Copa, mas, como consequência, outro problema é criado: são mais empecilhos para times que já têm um calendário desgastante nos primeiros meses com a disputa do Estadual. Especificamente em 2021, a temporada começou literalmente dias após o encerramento da última, devido à adaptação que os torneios sofreram pela pandemia, em 2020, tirando férias, pré-temporada ou maior delicadeza para se planejar.

>>> Confira a tabela de classificação do Brasileirão 2020

Uma das grandes atrações do Brasileirão, o Fortaleza, brilhantemente comandado por Juan Pablo Vojvoda, é o primeiro clube do Nordeste a chegar entre os quatro melhores no novo modelo da Copa do Brasil – o primeiro da região desde o Ceará em 2011. No século XXI, todos as edições até 2012 não contaram com os “sul-americanos”. No intervalo, seis nordestinos alcançaram as semifinais. Outros 13 não faziam parte do chamado “G13” – veja todos abaixo.

Se comparado com o presente ciclo, as vagas nas semis são acumuladas por times do Rio, São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas. Dos 36 semifinalistas somente cinco vieram de locais diferentes. Além de Fortaleza e Athletico (campeão em 19 e vice em 13), o Goiás, em 2013, foi um dos poucos a se colocar entre a “elite”.

Um parâmetro que a configuração atual da Copa trouxe é servir como uma espécie de termômetro da temporada. Até pelo fato de ser disputada até seu final junto do Brasileiro, elencos com maiores possibilidades de atuarem em duas frentes tendem a ter sucesso.

Dos 36 semifinalistas desde 2013, dez terminaram ou estão (contando com Atlético-MG, Flamengo e Fortaleza) entre os quatro primeiros colocados nos pontos corridos. De 2001 a 2012, foram sete. Campeões como Cruzeiro (2003), Fluminense (2007) e Vasco (2011), por exemplo, não abandonaram a disputa do Brasileiro, como habituava-se a acontecer com quem já tinha o objetivo alcançado de levantar uma taça e garantir vaga na Libertadores, e se colocaram no antigo G4. Até hoje, o Cruzeiro foi o único a vencer Brasileiro e Copa no mesmo ano.

Veja as surpresas que chegaram na semifinal da Copa do Brasil no século XXI
​2002: Brasiliense
2003: Sport, Goiás
2004: Vitória, XV de Novembro, Santo André**
2005: Ceará, Paulista**
2006: Ipatinga
2007: Figueirense*, Brasiliense
​2008: Sport**
2009: Coritiba
2010: Vitória*, Atlético-GO
2011: Avaí, Ceará, Coritiba*
2012: Coritiba*
2013: Goiás, Athletico*
2019: Athletico*
2021: Fortaleza, Athletico.

*: foram finalistas
**: foram campeões

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